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Acima,foto de Capiba
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Quando morava na Pensão de "seu" Guima, na Av. Conde da Boa Vista, com vários
companheiros, na maior harmonia deste mundo, tínhamos, por hábito usar os objetos do
companheiro mais próximo, sem o menor constrangimento.
Este costume era velha reminiscência dos tempos passados nas Repúblicas de
Estudantes por Castro Alves, Martins Júnior, Clóvis Beviláqua e muitos outros
que viveram no Século XIX, aqui no Recife.
Eu morava com estudantes mais ou menos pobres, que viviam de mesadas
dadas por seus pais no tempo das vacas magras. O mais abonado da turma era
eu, muito embora fosse um principiante na carreira que abraçara, por necessidade.
Era, portanto, um 4.0 Escriturário a título precário do Banco do Brasil S/A. Por
aquela época o melhor emprego da paróquia sobre todos os aspectos.
Não tinha de que me queixar: bom ordenado, serviço médico, Caixa de Montepio,
que depois mudou de nome para Caixa de Assistência, direito a
férias (coisa rara naqueles tempos . ), gratificação de
seis em seis meses, etc., etc.
Só tinha uma coisa, o funcionário do Banco do Brasil trabalhava dia e noite e
nunca o serviço acabava. Era fogo. Eu vivia no meio da estudantada por ser,
também, estudante de Direito. Estudava por conta própria .
Não era como aqueles outros estudantes que recebiam mesadas dos
seus pais. Era independente podendo até levar pau nos exames sem ter
que dar satisfação aos meus pais.
Na pensão a camaradagem continuava a mesma. Porém, eu ficava danado da vida
quando procurava o meu pente e não o encontrava. Tinha que estar aborrecendo
os amigos, de quarto em quarto, a fim de pentear os meus cabelos que, por aquela
época, abundavam na minha cabeça, ou então, sair à rua despenteado.
Muitas das vezes sal correndo, cabeleira ao vento, a fim de pegar o primeiro bonde
que me levasse até o Banco do Brasil, por falta absoluta de pente. Por aqueles dias
sair com os cabelos derramados pela testa era coisa para loucos e, acima de tudo,
correndo. Vivíamos o tempo dos cabelos glostorados, isto é, unidos no crânio
como se fora uma touca.
A par dessa camaradagem, havia um estudante de medicina, sertanejo dos bons, que
não gostava dessas liberdades.
Com uma espingarda que ele trouxe do sertão, onde morava, armou uma armadilha
para os que fossem visitá-lo no seu quarto, sem a sua presença.
No seu cantinho, lá no fundo do quintal, ele colocou sua querida espingarda olhando para a
porta de entrada, com um dispositivo tal que se o cara empurrasse a porta do quarto levaria
uma carga de chumbo pelas fucas. Ninguém podia condená-lo por sua armadilha porque ele
era um pouco desmiolado. Felizmente, ninguém se atreveu a passar na porta do seu quarto,
quanto mais tentar entrar.
O meu quarto era aberto dia e noite a todos os amigos que queriam um dedo de prosa
comigo. E a esculhambação continuava e eu não podia dar jeito porque, assim
procedendo, era perder a boa convivência que mantínhamos cordialmente.
Como todos usavam os meus pentes e se esqueciam de devolvê-los , resolvi
comprar duas dúzias de pentes (24 pentes) e distribui-los por todos os cantos
da pensão. Sal botando pentes nas mesas, nas camas, nas cadeiras, nas mesinhas, nos mesões. ,
pendurados por um cordão
nas paredes, pendurados no teto e onde mais pudesse - Enchi de pentes até o
banheiro para não ter mais que me aborrecer, quando não encontrasse o meu
pente no seu lugar.
Desse dia em diante, passei a chegar ao Banco
sempre penteado.
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