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0 imaginário e a criatividade de Aloisio demandam que sua vida seja mapeada, a fim de que se possa, acaso, acompanhar-lhe o itinerário, com risco de perdas, pois com freqüência andou ele por duas ou mais vias de ação ou pensação, vias às vezes paralelas, mas também às vezes divergentes tão múltiplo foi.

Uma das faces mais envolventes de sua personalidade foi a do bibliólogo - esse saber ligado ao livro como objeto e vetor de cultura, que o fazia ser, por isso mesmo, bibliófilo, amigo do livro, e bibliósofo, sábio em coisas de livro. Seu apego ao livro - livro sob quaisquer aspectos, inclusive o visual e o iconográfico -manifesta-se cedo, já nos seus tempos recifenses, quando se cria 0 Gráfico Amador, oficina experimental de artes gráficas, fundada em 1954, por ele e Gastffo de Holanda (que, romancista e poeta, nunca se liberou do vírus bibliâmano) e José Laurenio de Meio e Orlando da Costa Ferreira (depois, dos mais notáveis bibliólogos brasileiros), com a finalidade de publicar, em tiragens artesanais limitadas, textos literários breves, sobretudo de poesia. Era o mesmo ano em que, no Rio de Janeiro, um catalão Manolo Segalá, criava a sua Philobiblion, de intenções e realizações muito gêmeas - e sem se saberem.

0 Gráfico Amador contou com o estímulo de Le Courrier Graphique, de Paris, e de Curwen Press, de Londres, e com a colaboração de diversos intelectuais e artistas pernambucanos; e de outras pessoas interessadas em artes visuais - era quando Aloisio se fazia conhecer como pintor. 0 Gráfico Amador se apresentou em exposição na Biblioteca Nacional, do Rio de Janeiro, em 1959. E encerrou suas atividades em 1961, com vinte títulos publicados, entre os quais, em primeira edição, o poema Ciclo, de Carlos Drummond de Andrade. Seu patrimônio foi doado à Escola de Belas Artes do Recife.

Mas o fato é que Aloisio multiplicou a ação fecunda de sua bibliologia seu conhecimento profundo do livro, e de sua bibliofilia, sua amizade ao livro.
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Antônio Houaiss · setembro de 1982